quinta-feira, 10 de março de 2011

De volta à rotina.

     Já não consigo mais fingir nada que se passa comigo, está tudo tão nítido, me transpareço só com o olhar. E jamais eu desejaria querer ser alvo do sentimento de pena de qualquer que seja o ser. Me disfarço entre olhares buscando um refúgio que me tire de tudo isso.
     Quando eu penso que o suficiente já está à minha porta, uma onda vem e bagunça ainda mais minha já confusa alma. Não tenho vergonha alguma ao dizer que me arrependo de coisas que fiz, se torna ridículo e clichê dizer o oposto. Quisera eu que para tudo na vida houvesse uma forma mágica e rápida de se poder voltar e traçar uma rota totalmente diferente da qual em determinado momento decidimos percorrer.
     Quanto mais o tempo passa, mais percebo que eu realmente não me conheço sequer um pouco; que meus desejos e sentimentos me pregam peças; que meu desapego pode ser meramente ilusório.
     O viver sozinho tem sido difícil, talvez seja o costume falando mais alto, nada mais me satisfaz, e o que poderia o fazer eu não tenho em mãos.
     A vida tem se moldado muito estranha à minha frente, como se me encontrasse em realidades paralelas num frenesi intenso de dor em ambas, não havendo nenhuma contraparte. Já não tenho mais forças de me esconder do que quer que seja, me expondo ao ridículo tenho me encontrado mais vulnerável do que imaginara. O medo do silêncio me atrai mais do que nunca.
     Questiono-me se preciso disso tudo, mas confesso que me acostumei com sentimentos frios, hoje me sinto confortável com suas respectivas presenças. Tenho medo de me tornar depressivo demais, já não sei se cabe a mim ficar nesse caminho por opção ou tentar me reerguer. A cada texto me repito mais e mais, pergunto-me até quando... Minha fragilidade nunca esteve tão clara. 
     Encontro-me literalmente dentro de um trem, retornando hoje à minha rotina entediante, digitando no meu celular mais um devaneio real de platonismo.
Victor C.


3 comentários:

  1. É corajoso fazer do blog um espelho escrito na primeira pessoa do singular. Se expor sem se importar.
    Beijo, beijo, voltarei.

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  2. poucas pessoas entram msm... rs
    mas eu n tenho medo de me expor n. ;)
    faz parte.

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  3. "Quanto mais o tempo passa, mais percebo que eu realmente não me conheço sequer um pouco; que meus desejos e sentimentos me pregam peças; que meu desapego pode ser meramente ilusório."

    às vezes nós sabemos o que é melhor pra nós mesmos, mas não queremos seguir, ou até queremos mas não conseguimos.Medo? Insegurança? Talvez...Mas não seremos felizes até nos desapegar do que nos corróe e ocupa.No fim das contas tudo é questão de hábito, costume e substituição.Seres humanos são inconstantes e se enganam.Cabe a nós discernir o que é importante e o que é supérfulo, passageiro.

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