segunda-feira, 21 de março de 2011

Lost...

     Ultimamente sinto como se a cada instante estivesse acordando na inércia, e pior que isso, me vejo totalmente perdido. Como se tivesse acabado de nascer sem possuir discernimento sobre exatamente nada, uma criatura jogada em um mundo absurdamente desconhecido, onde olhares machucam mais do que qualquer tipo de tortura existente. Refugiado dentro do meu próprio ser, com medo e alheio a tudo. Toda e qualquer tipo de vontade me é ausente.
     Não consigo ter uma explicação lógica para isso, faltam-me palavras e quando finalmente as encontro, seu desvencilhar se torna pragmático; um balé misto, rápido e fugaz.
     Não há mais para onde fugir. O que me resta é simplesmente aceitar essa condição, não vejo outra maneira.
     É um tipo de sentimento muito novo, uma dor eloquente sem precedentes. O fato de não conseguir extravasar essa angústia externamente está me corroendo por dentro. Eu sei que um dia isso tudo vai passar, mas minha mente não consegue processar essa idéia, os dias subtamente não passam mais.
Victor C.


quinta-feira, 10 de março de 2011

De volta à rotina.

     Já não consigo mais fingir nada que se passa comigo, está tudo tão nítido, me transpareço só com o olhar. E jamais eu desejaria querer ser alvo do sentimento de pena de qualquer que seja o ser. Me disfarço entre olhares buscando um refúgio que me tire de tudo isso.
     Quando eu penso que o suficiente já está à minha porta, uma onda vem e bagunça ainda mais minha já confusa alma. Não tenho vergonha alguma ao dizer que me arrependo de coisas que fiz, se torna ridículo e clichê dizer o oposto. Quisera eu que para tudo na vida houvesse uma forma mágica e rápida de se poder voltar e traçar uma rota totalmente diferente da qual em determinado momento decidimos percorrer.
     Quanto mais o tempo passa, mais percebo que eu realmente não me conheço sequer um pouco; que meus desejos e sentimentos me pregam peças; que meu desapego pode ser meramente ilusório.
     O viver sozinho tem sido difícil, talvez seja o costume falando mais alto, nada mais me satisfaz, e o que poderia o fazer eu não tenho em mãos.
     A vida tem se moldado muito estranha à minha frente, como se me encontrasse em realidades paralelas num frenesi intenso de dor em ambas, não havendo nenhuma contraparte. Já não tenho mais forças de me esconder do que quer que seja, me expondo ao ridículo tenho me encontrado mais vulnerável do que imaginara. O medo do silêncio me atrai mais do que nunca.
     Questiono-me se preciso disso tudo, mas confesso que me acostumei com sentimentos frios, hoje me sinto confortável com suas respectivas presenças. Tenho medo de me tornar depressivo demais, já não sei se cabe a mim ficar nesse caminho por opção ou tentar me reerguer. A cada texto me repito mais e mais, pergunto-me até quando... Minha fragilidade nunca esteve tão clara. 
     Encontro-me literalmente dentro de um trem, retornando hoje à minha rotina entediante, digitando no meu celular mais um devaneio real de platonismo.
Victor C.


terça-feira, 8 de março de 2011

8 e meio.

     Hoje eu estou muito estranho, me sentindo sem chão. Depois do que aconteceu ontem eu queria correr pra cá e colocar tudo nessa tela, o texto vinha por completo na minha cabeça, e agora simplesmente não consigo expressar nada do meu realismo.
     Tudo começou muito mágico e em dobro, estava feliz não só por mim e sim pelo conjunto da obra.
     E uma série de questionamentos pairaram sobre mim. Por que isso tudo? Será que a importância dada foi a mesma? Eu sei que não, mas a esperança era que fosse.
     A sensação era como se já não houvesse mais interesse, e isso me atingiu em cheio. Nada precisava ser dito, estava tudo na cara. Só queria sair dali, antes que o constrangimento fosse ainda maior.
     Como num curta-metragem com um triste fim tudo aconteceu muito rápido, um romance de verão. Mas o engraçado é que fica uma sensação de que não foi e nem vai ser a última vez, o último beijo, o último abraço... Aquele mesmo encanto continua aqui dentro.
     Até vontade de chorar eu tenho, porém minha mente parece não aceitar, parte de mim sabe que seria até um exagero, mas a outra parte sabe a intensidade que tudo isso repercutiu no meu ser e que agora não poderá existir mais esse preenchimento incomum.
     E o futuro a Deus pertence, não posso pressentir nada. Vai ficar uma saudade reprimida, uma saudade antecipada de uma relação futura que não aconteceu. E o mais estranho é que tudo começou e teve seu "fim" exatamente no mesmo lugar.
     E no fim tudo vai permanecer igual, afinal não há nada a fazer.
Victor C.